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O Caminho das Palavras

O Caminho das Palavras

Sab | 18.02.17

Quando me recordares

Quando me recordares, pensa em mim como eu era. Não te relembres de mim já cansada, de olhos cavados e sem brilho, mas de olhar vivo e sorriso arrebatado.

Quando me recordares, esquece os meus dias de desânimo. Recorda apenas a mulher que enfrentava os dragões desta vida, que ousava arrojar, a destemida que corria atrás dos sonhos impossíveis de alcançar.

Quando me recordares, pensa nos momentos em que te abracei, quando as minhas mãos seguravam as tuas, que de tão quentes abrasavam. Pensa em mim de rosto afogueado, como se transportasse no peito a alegria do mundo, como se o vento me tivesse sempre acabado de despentear, como se o dia nunca tivesse fim, como se a noite jamais tivesse lugar.

Quando me recordares, revive o meu sorriso a cada reencontro com o mar, o cheiro do sal no meu cabelo, a areia, os sons de um dia de verão a findar.

Quando me recordares, fá-lo como quem olha o céu num fim de tarde normal, observa as aves que cantam e rasteiam as dunas e o mar, cerra os olhos. Confia, aí hei-de estar.

Quando me recordares, não me recordes com medo. Lembra-te de mim quando troçava dos meus próprios temores, quando nada me arrancava a vontade de combater, a Maria sem Medos, que na minha juventude ousou viver.

Quando me recordares, recorda-me com um dos meus filhos nos braços, num dia simples, sem nada de especial. Guarda esse meu gesto, esse meu olhar.

Nele estão guardados os mais secretos segredos do mundo, a magia insubstituível, que encerra, o deslumbramento de Amar!

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