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O Caminho das Palavras

O Caminho das Palavras

Dom | 09.07.17

Mudança

“Há um tempo em que é preciso abandonar as roupas usadas, que já têm a forma do nosso corpo, e esquecer os nossos caminhos, que nos levam sempre aos mesmos lugares. É o tempo da travessia: e, se não ousarmos fazê-la, teremos ficado, para sempre, à margem de nós mesmos.” (Fernando Teixeira de Andrade)

Como saber que é tempo de mudar? Existe uma linha que separa uma existência passiva, de uma vida preenchida? Existe um timing perfeito em que tudo surge claro e transparente à luz dos nossos olhos e percebemos que a mesma é impreterível?
Existirá o tal instante mágico que, teoricamente, Deus nos concede cada dia? 
O momento em que é possível mudar tudo que nos deixa infelizes, em que um sim ou um não pode mudar toda a nossa existência?
Ou acordamos num dia, olhamos à nossa volta e percebemos que já não somos nós? 
É difícil aceitar que a mudança é inevitável. Porque o seu maior inimigo é o conformismo. Porque é mais fácil repetir todos os dias os mesmos passos, num caminho que já palmilhamos de olhos vedados, que eleger alterar o rumo e aprender novamente a andar.
É aliciante manter a zona de conforto intocável. Afastar o impulso de recomeçar, convencendo-nos de que já não há tempo, no tempo, para nós. 
Porque o período de mudar tem termo. Deixamo-nos convencer que aceitar é fundamental e passamos pelos anos, a crer que o que temos, nos basta.
Embora tudo à nossa volta nos revele incessantemente que a vida é rara e tão breve. Sabemos que cada momento é único, mas preferimos repetir os mesmos gestos, as mesmas tarefas, as mesmas palavras, que tantas vezes já não repercutem nada, ao invés de procurar novas razões para ser feliz.
O que será mais significativo?
Viver cada dia rodeado por uma capa protetora que nos resguarde de emoções desconhecidas, ou aceitar que o que fazemos ou somos já não é importante? 
Não será o propósito da vida aceitar o que a mesma oferece, ser grato, ansiar apenas pelo que se conhece e que sabemos ser seguro?
Ou será que a vida nos propõe algo mais audaz? 
Viver, sem medos, culpas ou constrangimentos. Viver cada dia com o entusiasmo natural de quem vê o mundo pela primeira vez e o aprecia, na sua essência, respeitando o dom da vida e dando-lhe um novo sentido, todos os dias.
Viver num círculo fechado, ou olhar o mundo e reconhecer que fazemos parte do mesmo, reivindicando o nosso papel como agentes de mudança? 
Seremos apenas aquele que sobrevive, fintando aqui e acolá, ou enfrentaremos a nossa dança, nesta roda?
Andamos ou paramos? 
Se pararmos, não corremos riscos de pisar ou atropelar alguém. 
Mas se avançarmos, quem sabe a página em branco que nos está destinada escrever?
Acarreta riscos, seguramente.
Mas traz também a possibilidade de viver novos dias, novas vidas, novos desafios, novos amores.
E que raio andamos nós, afinal, a fazer neste mundo, se não a aprender a viver?
Que tipo de aprendizagem existirá se ficarmos aquém de nós mesmos?
Será esse o nosso propósito?Aprender a morrer? 
Eu escolheria a vida. 
Porque nenhum dia é igual a outro. 
E porque cada novo amanhecer encerra uma benção escondida, uma benção que só existirá nesse dia e que não pode ser guardada. Se não a vivermos ou aproveitarmos, perde-se irremediavelmente. 
Estamos em constante processo de mudança. Talvez por isso a resposta às nossas questões esteja nos pequenos milagres de cada dia, nos pequenos pormenores e detalhes.
Afinal, quem não é fiel às pequenas coisas, jamais será nas grandes.

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