Saltar para: Post [1], Comentar [2], Pesquisa e Arquivos [3]

O Caminho das Palavras

O Caminho das Palavras

Sex | 28.04.17

Dias

Há dias normais.

Dias que passam sem grande significância, em que cumprimos as tarefas habituais e o sol põe-se, com a mesma simplicidade com que nasceu.

Do nada, para as páginas em branco de um livro vazio.

Mas há ouros dias que trazem em si um fardo que nos custa suportar. Um peso de nostalgia, de memórias vividas, vidas interrompidas. Dias em que a nossa alma, a nossa vida, está longe daquele dia.

Estamos longe, habitamos temporariamente um outro lugar, que dentro de nós não foi ultrapassado. Porque o tempo da alma, é diferente do tempo do corpo.

Exteriormente, podemos aceitar a mudança, mas a nossa essência, mantém-se ligada às nossas origens e sem elas, ficaríamos perdidos. Duvido mesmo que tivéssemos chegado até aqui, embora tantas vezes o nosso maior desejo, fosse precisamente estar noutro lugar.

É difícil combater o poder da mente, quando a mesma insiste em nos transmover para as estradas de terra, de dias antigos. Fugimos delas porque nos deixam confusos, as memórias do passado misturam-se com as do presente e juntas, criam uma amálgama sentimentos e emoções, que ao invés de nos aquietar, nos confundem e tornam inquietos.

Somos quem somos porque as percorremos, mas sabemos que não existem caminhos para o passado, embora a sensação que esse carreiro nos traz, seja um bálsamo para a alma.

Por vezes questiono-me se os caminhos se percorrem apenas uma vez. E chego à conclusão que não.

Há caminhos que percorremos com os nossos próprios pés uma única vez, mas a nossa mente palmilhou-o vezes sem conta, desde o primeiro momento.

Retornamos aos lugares que nos marcaram, sempre que a nossa mente necessita compreender ou recordar o que nos levou a chegar até aqui. E então, recomeça a andada, que nos conduz ao princípio. De tudo e de nada.

O momento em que um sim ou um não, destinavam o caminho a seguir.

Compreender de onde vimos é essencial para o autoconhecimento. Perceber o que nos conduziu ao momento presente, com todos os tropeços, incertezas e pedras do caminho. E aceitar.

Mas sobretudo abranger, que todos os dias, se descerram novos caminhos à nossa frente.

Caminhos estreitos, caminhos largos, estradas movimentadas, ruas desertas e abandonadas.

E todos estão ao alcance de único um passo, à distância de um segundo olhar, ao arrojo e audácia do traço inseguro de um compasso.

Aceitar o passado é essencial, viver o presente é fundamental, mas crer que ” isto não acaba aqui!”, é a chave, que nos possibilita abrir todos os dias, aquela porta invisível, que por maior persuasão ou intenção dos outros, em fechá-la,

Abri-la…

Cabe unicamente a nós.

Porque cada vez que um novo ser chega a este mundo, recebe com o dom da Vida, o poder da Escolha. E eleger quem fará parte do nosso caminho, é mais que uma decisão.

É uma travessia.

Que se faz sozinho.

 

caminhos-2.jpg

 

Comentar:

Mais

Se preenchido, o e-mail é usado apenas para notificação de respostas.