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O Caminho das Palavras

O Caminho das Palavras

Seg | 03.04.17

Aniversário

Fez no passado dia 27 de março, vinte e um anos que fui mãe pela primeira vez.

Com 21 anos acabados de fazer, dei à luz de uma menina de olhos amendoados que desde o primeiro momento, pareciam querer engolir o mundo.

Nunca quis saber o sexo do bebé esperado, porque queria sentir a emoção do momento em que o seguraria nos braços pela primeira vez e ouviria as palavras: “é um menino” ou “é uma menina”… e deliciar-me nelas.

Porque uma certeza eu tinha. Seria exatamente o que eu queria!

Recordo quando passávamos noites sozinhas e eu queria que ela dormisse comigo (porque EU sentia medo). Ela, com pouco mais de dois anos e com umas “mãos cheias” de caracóis que lhe chegavam a meio das costas, dizia querer dormir no seu quarto.

Eu, chateada por não a convencer a dormir comigo, esperava que ela adormecesse, pegava-lhe no colo com todo o cuidado e levava-a para a minha cama.

Poucos minutos depois, ela acordava, olhava à volta, percebia onde estava, descia atabalhoadamente da cama (que tinha pouco menos da sua altura) e seguia para o seu quarto, com os caracóis a balançar, enquanto reclamava:

“- Esta não é a minha pama!”

E fechava a porta. E dormia. Às escuras!

No primeiro dia do Jardim de Infância, levou uma caneta e um caderno porque dizia que ia para a escola aprender.

Enquanto as outras crianças choravam, agarradas às suas mães, a minha sentou-se sozinha num banco sueco do hall, à espera que a chamassem. Eu ainda ali fiquei um bocadinho, naquela de mãe no 1º dia, a ver se ela olhava para mim. Quando me viu, fez uma careta e disse:

 “- Ainda aí estás? Vai-te embora!”

E eu recolhi o saco de mãe preocupada, já que dali não levava nada.

Escusado será dizer, que, ao fim do dia, quando lhe perguntei que tal tinha sido a escola, a resposta foi:

“- Uma chatice! Não aprendi nada!”

E assim tem sido. Independente, voluntariosa, dedicada às causas que acredita e extraordinariamente apaixonada. Pela família, pelos amigos, pela sua casa. E doce.

A esse propósito, recordo um dia em que, após um passeio de bicicleta, ao chegarmos a casa, olhou para mim com um sorriso alegre e os seus dois totós espetados, um de cada lado da cabeça e disse, com o ar mais natural do mundo, a propósito de nada:

“- És tão boazinha, mamã.”

Assim é esta minha filha.

Um misto de autonomia e doçura.

Alguém em que eu vejo uma parte de mim quase esquecida, mas que me recorda todos os dias,

Que na vida, as derrotas não contam,

Servem exclusivamente para nos mostrar,

Que a vida, independentemente da pedras no caminho,

É para ser vivida!

O resto, com todo o seu esplendor,

Não passam de acessórios, pobres imitações…,

Do que erradamente se julga,

Ser o amor.

 

 

 

 

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